Foliando durante um bloquinho de Carnaval, Larissa foi vítima da queda de um bloco de pedra que se desligou de um edifício que não estava com a manutenção predial em dia. A estudante de engenharia civil ficou um mês em coma, outros dois conscientes internada, teve que reaprender a andar, e realizar outros movimentos. O caso foi apresentado pelo engenheiro civil e especialista em patologia das construções Matheus Leoni, durante a programação do 15º Encontro de Líderes Representantes do Sistema Confea/Crea e Mútua, na manhã desta quinta-feira, 29/1.
De acordo com Leoni, 25 milhões de brasileiros residem em apartamentos, enquanto poucas cidades brasileiras têm legislação referentes ao tema. “O Distrito Federal tem uma lei que obriga a inspeção predial a cada cinco anos, mas ninguém leva a sério. A lei sequer é conhecida, é de 2005”, comentou Matheus. No âmbito federal, o cenário é mais otimista: o projeto de lei que trata do assunto é de 2013 (PL 6014/2013), mas no ano passado foi aprovado pela Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJC) da Câmara dos Deputados. “A tendência é que não demore no Senado. Esse PL fala que a primeira inspeção da edificação tem que acontecer em até dez anos após a emissão do habite-se dela, e depois a cada dez anos. A lei não vai resolver toda a situação. sabemos da dificuldade de fiscalização, mas vai trazer a discussão do assunto, e o fato de ter a lei traz um peso diferente”, ponderou o especialista.
A inspeção predial, reflete o palestrante, reúne contextos técnicos que vão além do engenheiro civil. A avaliação abrange segurança estrutural, segurança contra incêndio, segurança no uso e na operação, infiltrações, saúde, higiene e qualidade do ar, funcionalidade e acessibilidade, durabilidade e manutenibilidade. Citando a norma técnica NBR 16747, que consolidou e padronizou os procedimentos de inspeção, Matheus conclui: “a inspeção é como um check up no edifício”. Além disso, ela acaba tendo a função de nortear as ações do condomínio, pois ajuda a estabelecer prioridades, gera manuais de uso, de operação e de manutenção, dá elementos para a criação do plano de manutenção, auxilia no planejamento financeiro, entre outros.
Leoni contou, ainda, sobre o caso quando pastilhas de revestimento se descolaram da fachada de um prédio, caíram e atingiram o carro do síndico. Mostrou também imagens de “gatos”, ou improvisos, que os condôminos fazem para “solucionar” problemas que surgem. ”O esforço que a pessoa faz para dar um contorno desse, mas resolver ela não resolve”, desabafou. Tudo isso gera um relatório enorme para o inspetor predial.
O 15º Encontro de Líderes Representantes do Sistema Confea/Crea e Mútua é realizado até sexta-feira, 30/1, em Brasília, no Centro de Convenções Brasil 21.
Fonte: Confea




